7# ECONOMIA E NEGCIOS 25.12.13

     7#1 KOMBI DA DISCRDIA
     7#2 CA NA MALHA FINA. E AGORA?

7#1 KOMBI DA DISCRDIA
A velha perua foi o pretexto para o Brasil quase adiar a obrigatoriedade de airbag e ABS em todos os carros novos, mas o que est em discusso  o prprio futuro da indstria automobilstica nacional
Pedro Marcondes de Moura

APOSENTADA? - Governo volta atrs e veculos tero de sair de fbrica em 2014 com airbag e freio ABS. Deve ser o fim da Kombi

Poucos setores so to vitais para a economia brasileira quanto o automotivo. As montadoras instaladas no Pas movimentam por ano mais de US$ 100 bilhes, pagam cerca de US$ 25 bilhes em tributos e geram 1,5 milho de empregos diretos e indiretos. O mercado nacional  o quarto maior do mundo e, graas a essa pujana, muitas inovaes tecnolgicas surgem nas fbricas brasileiras. Nada mais justo e necessrio, portanto, que o governo estabelea uma poltica industrial voltada exclusivamente para o ramo automobilstico. Nos ltimos dias, porm, algumas dessas polticas foram colocadas em xeque no Brasil e no Exterior. Por mais estranho que possa parecer, o primeiro questionamento veio do prprio governo, que cogitou adiar uma resoluo de 2009 do Conselho Nacional de Trnsito (Contran) que obriga os veculos produzidos no Pas a sarem de fbrica, a partir de janeiro, com airbags e freios ABS. O segundo foi feito por europeus na Organizao Mundial do Comrcio, que se queixaram dos benefcios tributrios concedidos pelo Brasil para desonerar sua indstria automotiva e do aumento de impostos para importados.

Linha de montagem da FIAT 

De olho no mercado automotivo nacional, Unio Europeia denuncia protecionismo brasileiro  OMC

A questo do adiamento da obrigatoriedade de ABS e airbag nos carros nacionais foi levantada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, a exigncia dos itens de segurana podia esperar at 2016, o que evitaria perda de postos de trabalho e impacto na inflao. Um dos argumentos apresentados por sua equipe econmica pode ser classificado como fator kombi. Como no  possvel instalar os equipamentos neste automvel, sua produo teria de ser encerrada. Segundo o Sindicato dos Metalrgicos, isso ceifaria quatro mil empregos na regio do ABC, bero sindical do PT. A Kombi, portanto, seria o pretexto para postergar a resoluo. O problema  que, ao cogitar adiar a entrada em vigor dos itens de segurana, o governo no olhou para o retrovisor. 

 O protecionismo estatal  indstria automobilstica trouxe resultados danosos aos consumidores  e ao prprio setor. At a abertura econmica na dcada de 1990, o parque industrial nacional era defasado e os modelos produzidos, distantes da qualidade dos outros pases. Com menos proteo, as empresas se movimentaram. Ampliaram investimentos e passaram a oferecer modelos mais seguros e modernos. Em vez do fechamento de postos de trabalho, ocorreu o contrrio. E no ser diferente com a obrigatoriedade de airbags e freios ABS, segundo o consultor Andr Beer, ex-vice-presidente da General Motors no Brasil. As montadoras tiveram trs anos para se adaptar s novas regras, contando inclusive com financiamento do governo. Se as linhas de produo de modelos antigos com forte apelo comercial, como Celta, Gol e Uno Mille, devem parar por no conseguirem cumprir as exigncias, outros carros ocuparo os seus lugares para suprir a demanda. No h dvida que veculos mais seguros e com o mesmo preo tomaro essa fatia de mercado, analisa Beer. Tambm no  consistente falar em desemprego. Essas novas linhas de produo iro absorver a mo de obra das outras aposentadas. Na tera-feira 17, em um gesto de bom senso, o ministro anunciou a volta da exigncia dos airbags e dos freios ABS a partir de janeiro de 2014.

ACELERANDO - Ministro Guido Mantega e colegas de governo tero de convencer a Argentina a no limitar exportaes de carros brasileiros 

O governo se posicionou de forma veemente contra a choradeira dos europeus. Os benefcios tributrios concedidos ao setor em 2013, como a reduo da alquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no s beneficiaram os consumidores, que passaram a pagar menos pelos carros, como impulsionaram as prprias fabricantes  que viram suas vendas aumentar mesmo em um momento de desacelerao econmica. Obviamente estamos analisando o caso, mas temos confiana de que nossos programas so conformes as regras da OMC, disse Luiz Alberto Figueiredo, ministro das Relaes Exteriores. Vamos demonstrar aos nossos parceiros europeus que os programas questionados esto, sim, em conformidade com as regras internacionais. Nos prximos dias, o Brasil ter outro desafio pela frente. A Argentina, que responde por mais de 80% do volume do dinheiro gerado pelas exportaes de carros brasileiros, quer limitar a entrada dos veculos fabricados no Brasil. Se isso acontecer, ser um duro golpe para a indstria nacional. At agora, porm, as montadoras tm conseguido manter o p no acelerador. Boa notcia para elas  e para os consumidores tambm.


7#2 CA NA MALHA FINA. E AGORA?
Declaraes do Imposto de Renda retidas pela Receita Federal cresceram 18% em relao ao ano passado. Descubra como corrigir os erros flagrados pelo Leo
por Luisa Purchio

Muitas pessoas se assustaram por no terem sido includas no stimo e ltimo lote do Imposto sobre a Renda da Pessoa Fsica (IRPF), divulgado na segunda-feira 16 pela Receita Federal. O motivo:  quase certo que elas caram na malha fina. Em 2013, 711,3 mil declaraes foram retidas pela Receita, um crescimento de 18% em relao ao ano anterior. O aumento se deve ao nmero maior de contribuintes que esto entregando a declarao, diz Raimundo Eloi de Carvalho, coordenador de previso e anlise da Receita Federal. A omisso de rendimentos foi o principal erro detectado pelo Fisco, representando 53% do total de declaraes com problemas. Cair na malha fina no significa que a declarao est errada e que o contribuinte vai receber uma multa, diz Richard Domingos, diretor-executivo da Confirp Contabilidade. Pode ser apenas uma informao inconsistente que precisa da apresentao de documentos. Se for esse o caso,  importante agendar uma visita o quanto antes a uma unidade da Receita Federal.

